quinta-feira, 17 de março de 2011

PRÉ-TEMPORADA: DESAFIO DA PREPARAÇÃO FÍSICA

   A cada novo ano, o período destinado para a realização da pré temporada, que engloba as avaliações fisiológicas, médicas e o desenvolvimento da  preparação física e técnica, via treinamentos, com o subseqüente período para a realização de jogos treinos e até alguns amistosos, está ficando mais reduzido, e com isso, as conseqüências nocivas de tão escasso tempo de preparação, estão também aparecendo não apenas mais precocemente, mas o que é pior, com maior constância e gravidade.
   Haja visto o grande número de lesões vitimando os atletas, em treinos e nos jogos, desfalcando suas equipes e trazendo prejuízos financeiros para os clubes já no início da temporada.
   A ocorrência de lesões, é até um fato normal no futebol, como em qualquer outra modalidade desportiva, pois todos estão sujeitos à elas, haja visto a intensidade de todas as ações realizadas pelos atletas quando das disputas nos jogos e treinamentos. Não possuímos mecanismos para impedir a ocorrência de lesões mas podemos sim minimizá-las, utilizando-se de todos os trabalhos preventivos e de recuperação após cada partida, além de todos os controles das cargas de treinamento e avaliações médicas e físicas periódicas.
   Mas quando nos deparamos com períodos insignificantes para a realização de toda uma preparação segura, visando uma temporada abrangendo mais de 60 jogos, com disputas simultâneas de várias competições, mais de 10 meses de atividades entre jogos, treinos, viagens ( o Brasil possui dimensões continentais), concentrações e temos que computar também, a vida particular de cada um, fora do clube, com toda a certeza, sempre chegamos as mesmas conclusões de anos passados ou seja, todos sofrerão muito com lesões novamente.
   Então, qual é a medida mais acertada para que um período de no mínimo 30 dias seja estipulado anualmente, (03  janeiro até 03 de fevereiro), para a execução da pré-temporada?
   Que os nossos dirigentes, consultem seus membros de comissão técnica e ajustem o calendário anual do futebol Brasileiro, de acordo com o período básico e altamente necessário de preparação do alicerce físico e técnico para o início seguro da atual temporada.
   Uma unica e simples reunião, abrangendo dirigentes, preparadores físicos, fisiologistas e técnicos, onde serão expostas todas as diretrizes fisiológicas e técnicas para que com um período racional de tempo, todos os clubes viessem a desfrutar da elaboração e execução das avaliações e treinamentos de forma consistente, segura e produtiva.
   No ano de 2008 no Atlético Paranaense por exemplo, tivemos à nossa disposição um longo período de 5 dias para a realização da pré - temporada (No sexto dia já jogamos) visando o início do Campeonato Paranaense com todos os atletas retornando do período obrigatório de férias (30 dias), diretamente para uma internação de 23 DIAS, no espetacular Centro de excelência do Caju, (C.T. do Atlético), de onde apenas sairiam para realizar as partidas oficiais e retornando logo em seguida.

   Como já prevíamos isto em 2007, (o Campeonato Brasileiro terminaria dia 06 /12) antecipamos algumas das avaliações médicas e odontológicas para os últimos dias desta temporada que ora findava-se e como sabíamos que o grupo de atletas não passaria por grandes mudanças, os orientamos para não cometerem excessos nas festas de final de ano (os atletas foram sensacionais e apresentaram-se muito bem para o início da pré-temporada 2008).
   Elaboramos nós preparadores físicos em conjunto à fisiologia (com meu grande e querido amigo PROF. DR. ANTONIO CARLOS GOMES), uma programação ampla e minuciosamente científica que a princípio, abrangeria o período de 03/01/08 à 13/01/08 (03 À 07/01/08, apenas avaliações e trabalhos físicos), sendo o segundo período cumprido entre os dias 14/ 01/ 08 à  26 /01/08, com uma quantidade  de trabalhos técnicos e táticos de grande volume (duração), realizados com o técnico e grande amigo NEY FRANCO, além de seus auxiliares MOACYR e TICO.















   Este singelo exemplo de um micro período para a realização de uma pré - temporada vivenciada pela minha pessoa em conjunto com outros fantásticos e competentes profissionais, é uma realidade Brasileira.
   Hoje quando falamos em períodos entre 10 e 14 dias para a realização de uma pré-temporada em um grande clube Brasileiro, é realmente algo para se comemorar, pois os prazos são diminutos, mas as cobranças por resultados imediatos, são tão ferozes como o leão do imposto de renda.

   Passei por isso também no Guarani F. C em 2009, clube da bela cidade de Campinas,  pelo qual já trabalhei por 3 vezes.
   Foram 2 semanas de preparação visando o Campeonato Brasileiro da série B, mas com um enorme agravante: Foi realizada uma mudança na ordem de 20 profissionais, com a conseqüente contratação de outros 20, durante este período preparatório.
   Tenho que ressaltar aqui, o excelente trabalho que elaboramos e realizamos com meu espetacular amigo e fisiologista do clube, PROF. DR. MIGUEL DE ARRUDA, além é claro, da competência do meu amigo e companheiro de preparação física, Prof. JOÃO GUILHERME.
   Nestes 2 casos em especial, o retrato final foi digno dos grandes campeões, pois no Clube Atlético Paranaense apesar do vice campeonato Estadual, vencemos os 12 primeiros jogos e superamos a marca Histórica do time de 1949 que angariou para o Atlético o apelido de FURACÃO, pois venceu na época seus 11 primeiros jogos, ou seja, entramos para a HISTÓRIA do clube.
   Já no Guarani F,C, fomos VICE - CAMPEÕES DO CAMPEONATO BRASILEIRO da série B e conquistamos o acesso à série A, permanecendo inclusive durante todo o transcorrer das 38 rodadas do campeonato entre os 4 primeiros classificados (G 4), grupo das equipes com acesso garantido para a temporada 2010.

   Em toda a História de Campeonatos Brasileiros, somente o Corinthians e o Guarani, conseguiram esta proeza.

   A importância de uma pré-temporada bem realizada é fundamental para a segurança dos atletas e um desempenho com muita regularidade por parte de todos, principalmente para o inicio das primeiras competições da temporada, pois em um prazo de mais ou menos 2 meses (8 jogos mais ou menos), todos os atletas entram no ritmo de competição, e os ajustes se fazem com mais tranqüilidade e total segurança, aflorando o melhor nível técnico individual dos atletas e diminuindo lesões.

quarta-feira, 16 de março de 2011

JOGO FÍSICO

    Particularmente, prefiro criar muitos treinamentos à partir de minhas experiências adquiridas nos diversos clubes pelos quais já trabalhei.
   Este treinamento é muito completo, pois envolve não apenas todas as qualidades técnica e físicas desenvolvidas pelos atletas em campo, como também pode solicitar a participação de vários membros da comissão técnica em conjunto para não apenas monitorarem o trabalho, mas principalmente, participarem dele ativamente nas orientações e cobranças, como acontece nos jogos.
   Aqui, estão presentes a resistência aeróbia, quando das corridas intervaladas e dos períodos em que os atletas estiverem participando dos jogos em áreas reservadas ( uma variação deste trabalho, pode ser realizada à parte, sendo disputados joguinhos em campo reduzido, com os atletas subdivididos em grupos de 4x4 ou 3x3, em uma área colada à esse espaço acima marcado, por exemplo: todos os atletas participam ao mesmo tempo deste treinamento e à cada 10 ou 15 minutos no sequêncial acima, todos se deslocam rapidamente e jogam em campos reduzidos, podendo tocar apenas 2 vezes à bola, em um período de no máximo 5 minutos).

   Ao final destes 5 minutos, todos devem hidratar-se bem e voltar para mais 10 ou 15 minutos neste grande seqüencial acima mostrado.
   O trabalho com equipes definidas, somente é realizado nesta área à parte, sendo dentro do sequêncial, o trabalho realizado de um lado de campo apenas sem bola e bem individual, mas sempre com orientações dos preparadores físicos e fisiologista para que não sejam realizadas repetições em excesso em determinadas estações ( pode-se definir antecipadamente as repetições para cada estação ) e do outro lado, o trabalho é realizado com bolas, podendo ser a participação individual ou coletiva ( grupos pequenos ou até em conjunto com setores inteiros, como ataque, defesa e meio campo ), atuando entre si, simulando situações reais de jogo).
   A resistência especial (aeróbio - anaeróbio), também é trabalhada, principalmente na realização de corridas com variação de velocidade - C C V V ).

   A força especial (força máxima, força explosiva, e resistência de força), como saltos verticais, horizontais, até trabalho tracionado pode ser adicionado, além de algumas estações com pesos livres para membros superiores e inferiores (1/2 agachamento) e também saltos pliométricos, é muito trabalhada, pois o futebol está todo alicerçado sobre 3 pilares fundamentais: força, velocidade e resistência de velocidade.
   A velocidade de movimento, como as corridas de curta duração (5 - 30 m), são uma constante nos 2 lados no seqüencial (procurar realizar em velocidade máxima, entre 20 à 24 km/h ou mais, acima de 6,5 m/s.
   A resistência de velocidade também pode ser incluída, em distâncias entre 20 - 80 m, (ater-se mais nos rallys de jogo, quando distâncias de 30 à 40 m por exemplo, são fracionadas em piques curtos, mas seguidos).

                                 A   EXECUÇÃO
   O tempo pode ser de no mínimo 45 minutos, sendo subdividido em 3 séries x 15'  ou  5, 6 séries x 10' de execução no grande seqüencial.
   A recuperação entre cada série completa será de 5 minutos, tanto para as séries com 10 ou 15' de duração.
   Os atletas podem começar, realizando os joguinhos em campos reduzidos com duração de 5 minutos, mas com uma reposição de bola bem rápida e com um ritmo bastante intenso na execução e quando do termino, imediatamente iniciam o trabalho no grande seqüencial.
   Todos movimentam-se à vontade por todo o seqüencial, prestando bastante atenção nas orientações dos preparadores físicos e fisiologista e demais membros da comissão técnica.
   É muito importante ter-se em mente, que a intensidade de cada ação deve espelhar aqueles movimentos que são realizados por cada um deles, quando de suas participações em uma partida oficial.
   As opções são muito variadas para que todas as qualidades físicas possam ser trabalhadas separadamente e ao mesmo tempo, fundindo-se ao longo de todo o treinamento.
   Por exemplo: o atleta inicia trotando em direção ao lado sem bola e inicia em ritmo intenso os saltos frontais nas barreiras, saindo em velocidade - 15 metros - para o zig- zag, simulando um drible de corpo logo após ter saltado em uma disputa de bola pelo alto e ter corrido atrás do adversário, para retomar a posse de bola.
   Feito isso, este atleta se desloca para o lado de campo com bola, onde depois deste trote de recuperação ou não, ele vai realizar, dribles, cruzamentos, chutes a gol etc, sempre visando a realização de tarefas executadas por ele mesmo, de forma direta e criativa, exatamente como as realiza nos jogos.

   Aqui deste lado, o técnico e seus auxiliares, mais o treinador de goleiros, irão orientar os atletas em suas múltiplas ações. A velocidade também é essencial nestas ações e até as bolas paradas para cobranças de faltas ou penaltes, devem fazer parte.
   A recuperação durante cada bloco de duração ativa no treinamento, fica diretamente vinculada ao próprio atleta, pois somente ele mesmo, para se auto avaliar, podendo trotar lentamente e até caminhar, exatamente como o faz nos jogos.

   A monitoração cardíaca via frequêncímetros, é uma alternativa altamente válida para o controle da intensidade de todos os movimentos dos atletas durante o treinamento, e até a coleta do lactato sangüíneo, de forma esporádica logo em seguida à execução de determinada seqüencia, mostrará no ato, o grau de intensidade de seus esforços.
   O mais importante, é a liberdade proporcionada aos atletas, para realizarem atividades variadas com bola ou não, simulando sua atuação direta e clara, como se estivesse atuando oficialmente.

   Teremos então um retrato mais fidedigno, da participação de todos os atletas, com a ausência do adversário, mas com um controle de seu desempenho, monitorado por todos da comissão técnica.
   É sem dúvida nenhuma, um treinamento bem completo e dinâmico, pois os atletas estarão participando do jogo diretamente, tendo a liberdade da criação de jogadas e a execução de movimentos com seus respectivos instantes de recuperação, simulando o tempo inteiro suas ações e reações, típicas das realizadas nos jogos.

domingo, 13 de março de 2011

UM PARTICULAR COM DEUS

   Todos nós que vivemos neste país maravilhoso que é o BRASIL, onde não temos tsunamis, terremotos devastadores, vulcões, furacões, temos agora, que dobrar nossos joelhos e clamar através do poder de nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO para que as misericórdias de DEUS que se renovam a cada manhã, SUPERABUNDEM SOBRE o povo JAPONÊS neste exato instante.
   Muitos de nossos queridos Brasileiros, passaram recentemente pela catástrofe das enchentes e também por imensos desmoronamentos, que soterraram cidades inteiras, principalmente no Estado do Rio de Janeiro.
   Eu assisti à tudo através de minha televisão e um forte sentimento de impotência tomou conta de mim, pois tudo aquilo era real e eu não podia fazer nada para aliviar em termos práticos, aquelas perdas sem precedentes que tantas pessoas queridas estavam vivenciando.
   Foi neste exato instante que me veio a mente um versículo Bíblico, exatamente o mesmo que agora vendo esta catástrofe no Japão, aflorou-me violentamente: "MUITO PODE, POR SUA EFICÁCIA, A SÚPLICA DO JUSTO" ( TIAGO 5: 16 ). - Uma pessoa piedosa que ora com fé é uma pessoa justa e reta.


   Em todas as partidas de futebol, sejam oficiais ou não, sempre antes da entrada em campo, atletas e membros da comissão técnica formam um círculo no vestiário, para efetuarem uma ORAÇÃO, ou seja, uma conversa com DEUS onde pedimos a ELE principalmente pela preservação da segurança de todos, dentre outros pedidos.
   Agora, devemos pedir neste exato momento onde quer que estejamos, pela manifestação de seu agir sobrenatural, sobre todos aqueles que estão feridos, desesperados, abandonados e sem rumo, nas localidades que a muito pouco tempo atrás lhes eram como seu porto seguro em solo Japonês.
   Somente DEUS é onipresente ( está ao seu lado agora e sempre ), oniciente ( sabe e conhece todas as coisas, inclusive seus pensamentos e a sinceridade de seu coração ) e onipotente (pode todas as coisas), sendo agora uma delas, responder prontamente à sua ORAÇÃO por um alívio imediato do povo japonês.
   Esse meu Maior e Mais Querido Amigo, chamado carinhosamente por JESUS CRISTO, mostrou-me de forma tão carinhosa, como esses meus últimos 5 meses de desemprego e preocupações, são apenas gotas de orvalho em comparação com este devastador tsunami que a tecnologia avançada de hoje, quase nos permitiu presenciar em tempo real e que não se tratava de mais uma fantasia criada por Hollywood, mas era uma verdadeira onda gigante, carreadora de desgraças e sofrimentos, endereçada para um povo fantástico de tradições milenares, mas que como todos os demais povos, jamais esperava por tamanha dor.
   Para a minha pessoa, estas gotas deste orvalho divino, ainda estão regando o meu relacionamento com DEUS, permitindo maior intimidade com ELE, até que novas portas se abram e continue eu à realizar minha atividade profissional que tanto amo.
   Perante essas imagens deste TSUNAMI e das notícias sobre os inúmeros abalos sísmicos, que estão atingindo o Japão e conseqüentemente seu extraordinário Povo, classifique e ordene atualmente, quais são seus temores e necessidades mais urgentes e qual é o tamanho do suposto tsunami que  momentâneamente possa estar atingindo sua vida.
   Será que esse DEUS enormemente poderoso e soberano, não pode resolvê-los em um estalar dos seus dedos?
   Portanto, dê da primícia de seu tempo, um espaço para sua ORAÇÃO pelo Povo Japonês.
   Nós também podemos participar quando o momento se fizer presente, do envio de materiais diversos, como já o fizemos bem recentemente para várias localidades atingidas pelas enchentes, aqui no Brasil e também fora.
   Mas, DEUS está de prontidão para ouvir sua ORAÇÃO, pois ela tem a força e o poder para mover sua PODEROSA MÃO, em benefício desses Seres Humanos que agora agonizam à espera de um alívio para suas dores interna e externas.
   Que DEUS continue a lhe Abençoar Rica e Poderosamente.

sexta-feira, 11 de março de 2011

VARIAR SEMPRE

   Sempre estou a procura de novos conceitos e variações para serem incorporados quando da elaboração das programações de trabalho.
   Procuro também, nunca ausentar a ciência e a especificidade dos  treinamentos, pois tenho sempre em mente, que o treino deve ser um retrato fidedigno do jogo e para tanto, em cada novo clube, novas formas de trabalho são geradas com objetivos bem definidos e aperfeiçoadas periodicamente.
   Aqui estão apenas algumas, das centenas de variações já elaboradas por mim ou em parceria com os membros de várias comissões técnicas com os quais tive o imenso prazer em conjunto trabalhar, mas aqui  de forma bem criteriosa e específica, com o meu grande amigo e companheiro Oswaldo Alvarez, (Técnico Vadão). Vale ressaltar, que todas as variações devem ser bem estudadas e analisadas, antes de serem lançadas nos treinos.

   Essas variações foram implantadas no Clube Atlético Paranaense, quando de minha segunda passagem pelo clube, e depois expandidas à todos os demais clubes por onde tenho obtido o privilégio de trabalhar.
   Sempre que nos deparávamos com dois jogos na semana e essa seqüência se prolongava por até alguns meses devido à disputa simultânea de várias competições, embutíamos o trabalho físico no técnico e assim com volume e intensidade dos treinamentos preservados em sua interdependência, os objetivos eram alcançados com eficiência e segurança.
   Era muito importante levarmos em consideração, que o acúmulo de viagens, jogos, longos períodos de concentração, cobrariam seu preço e para que pudéssemos equacionar tudo isso sem maiores prejuízos, optamos pela mescla de seriedade e descontração, quando da execução de cada sessão de treinamentos.
   Sempre nos preparávamos com grande qualidade e com menores riscos de contusões, mesmo sendo cada período de treinamento, disputado com muito vigor.




NINGUÉM ESTÁ SOZINHO

   "Após um naufrágio, o único sobrevivente agradeceu a Deus por estar vivo e ter conseguido se agarrar à parte dos destroços para poder ficar boiando.
   Este único sobrevivente foi parar em uma pequena ilha desabitada e fora de qualquer rota de navegação e ele agradeceu novamente.
   Com muita dificuldade e restos dos destroços, ele conseguiu montar um pequeno abrigo para que pudesse se proteger do sol, da chuva e de animais, além de poder guardar seus poucos pertences, e como sempre agradeceu.
   Nos dias seguintes a cada alimento que conseguia caçar ou colher, ele agradecia.
   No entanto um dia quando voltava da busca por alimentos, ele encontrou o seu abrigo em chamas, evolto em altas nuvens de fumaça.
   Terrivelmente desesperado ele se revoltou, e passou a gritar e a chorar compulsivamente.
   - " O pior aconteceu! perdi tudo! Deus, porque fizeste isso comigo?
   Chorou tanto, que adormeceu, profundamente cansado.
   No dia seguinte bem cedo, foi despertado pelo som de um navio que se aproximava;
   - "Viemos resgatá-lo", disseram.
   -   Como souberam que eu estava aqui?, perguntou ele.
   -   "Nós vimos o seu sinal de fumaça"!
   É comum sentirmo-nos desencorajados e até desesperados quando as coisas estão indo mal.
   Mas Deus age em nosso benefício, mesmo nos momentos de dor e sofrimento. Lembre-se que se algum dia,  o seu único abrigo estiver em chamas, esse pode ser o sinal de fumaça que fará chegar até você a GRAÇA DIVINA.

   Para cada pensamento negativo nosso, Deus tem uma resposta positiva.

   Você diz: " Isso é impossível"
   DEUS DIZ: "TUDO É POSSÍVEL" ( LUCAS 18:27 );
   Você diz: " Eu já estou cansado"
   DEUS DIZ: " EU TE DAREI O REPOUSO" ( MATEUS 11:28-30);
   Você diz:" Ninguém me ama de verdade"
   DEUS DIZ: " EU TE AMO" ( JOÃO 3:16  -  JOÃO 13:34);
   Você diz: "Não tenho condições"
   DEUS DIZ: "MINHA GRAÇA É SUFICIENTE" ( II CORINTIOS 12:9 );
   Você diz: "Não vejo saída"
   DEUS DIZ: "EU GUIAREI TEUS PASSOS" ( PROVÉRBIOS 3: 5-6 );
   Você diz: "Eu não posso fazer"
   DEUS DIZ: "VOCÊ PODE TUDO" ( FILIPENSES 4:13 );
   Você diz: "Dói"
   DEUS DIZ: "EU TE LIVRAREI DA ANGUSTIA" ( SALMOS 90 );
   Você diz: "Não vale a pena"
   DEUS DIZ: "TUDO VALE A PENA" ( ROMANOS 8: 28 );
   Você diz: "Eu não mereço perdão"
   DEUS DIZ: "EU TE PERDÔO"  ( I JOÃO 1:9 );
   Você diz: "Não vou conseguir"
   DEUS DIZ: "EU SUPRIREI TODAS AS SUAS NECESSIDADES" ( FILIPENSES 4: 19 );
   Você diz: "Estou com medo"
   DEUS DIZ: "EU NÃO TE DEI UM ESPÍRITO DE MEDO" ( II TIMOTEO 1: 7 );
   Você diz: "Estou sempre frustrado e preocupado"
   DEUS DIZ: "CONFIAI-ME TODAS AS SUAS PREOCUPAÇÕES" ( I PEDRO 7 );
   Você diz: "Eu não tenho talento suficiente"
   DEUS DIZ: "EU TE DOU SABEDORIA" ( I CORINTIOS 1: 30 );
   Você diz: " Não tenho fé"
   DEUS DIZ: "EU DEI A CADA UM UMA MEDIDA DE FÉ" ( ROMANOS 12: 3 );
   Você diz: "Eu me sinto só e desamparado"
   DEUS DIZ: "EU NUNCA TE DEIXAREI, NEM DESAMPARAREI" ( HEBREUS 3: 5 )."


   Nós que trabalhamos no futebol e em especial , no Brasil, sabemos muito bem o que é  passar por tribulações, por situações muitas vezes altamente constrangedouras, geradas por atrasos salariais, por falta de respeito quando somos demitidos por telefone, quando somos questionados sobre o desempenho físico por intermédio de pessoas totalmente leigas no assunto, mas que se fazem de entendidas, enfim, são muitíssimos os casos de desrespeito e autoritarismo descabivel, que povoam nosso querido futebol.
   Mas para cada situação contrária, nosso DEUS trabalha por nós e julga retamente nossa causa, pois ELE também é conhecedor de nossas limitações e pecados.
   Nunca esqueça de agradecer todos os dias pelas maravilhas que DEUS tem nos reservado, pois existe um versículo na Bíblia Sagrada, que a princípio pode até não nos agradar, mas que retrata muitíssimo bem todas as circunstâncias de nossa vida terrena ; " SABEMOS QUE TODAS AS COISAS COOPERAM PARA O BEM DAQUELES QUE AMAM A DEUS, DAQUELES QUE SÃO CHAMADOS SEGUNDO O SEU PROPÓSITO" (ROMANOS 8: 28).
   Não desperdice oportunidades de ser sempre um profissional autêntico, mesmo em meio as mais constrangedouras situações, pois temos um advogado junto ao Pai nos céus, CRISTO JESUS. (I JOÃO 2: 1).

   Como agradeço por todos os clubes nos quais obtive o privilégio de trabalhar, pois hoje posso realmente afirmar:  NUNCA ESTIVE SOZINHO.

terça-feira, 8 de março de 2011

TEMPO DE REAÇÃO

   O futebol está entre as modalidades esportivas em que o sucesso e o fracasso dependem, em geral, do poder de reação o jogo todo.
   Na velocidade fornecida à bola( no futebol são alcançadas velocidades acima de 100 km/h, o que corresponde a 27.8 m/s ou mais nas finalizações a gol) em que existe alta utilização do corpo, estará em vantagem o atleta que reagir mais rápido e cuja concentração, apesar da fadiga, for menos prejudicada.
   Se um atleta possui tempo de reação 0.02s mais curto que o seu oponente, então, essa diferença de tempo corresponde à distância de 50 cm em um lançamento (considerando-se a velocidade de 90 km/h que é igual a 25 m/s) daí, pode-se observar no dia a dia do futebol, que justamente distancias como esta em centímetros podem  definir resultados positivos ou negativos.
   Atletas também com maior nível de performance caracterizam-se por possuir capacidade de concentração mais constante durante todo o tempo de jogo e, com isso, possuem um tempo de reação mais rápido.
   A velocidade com a qual os atletas agem em todas as atividades em  campo ( velocidade de reação), é influenciada por diferentes fatores, como: O tipo de reação, o sexo, a idade, a constituição, a motivação, os estados emocionais e de tensão psíquica, a intensidade do estímulo, o estado de treinamento, a capacidade de performance corporal, o período do dia, o estado de prontidão e a musculatura envolvida.
   As reações são Simples, Complexa e de Escolha, sendo as simples compreendidas por movimentos que se caracterizam por pequenos movimentos de parte do corpo, como por exemplo, o digitar com os dedos ou artelhos.
   Reações simples são influenciadas predominantemente pela hereditariedade, enquanto reações complexas e de escolha são influenciadas por fatores sociais, como por exemplo, o treinamento.
   Por reação complexa entendem-se a que emprega partes do corpo ou a que realiza movimentos com todo o corpo, por exemplo, as saídas de até 5 m, movimentos curtos de saída a partir de diferentes posições combinadas com as exigências de coordenação em ações de rápida realização.
   Reações complexas, típicas de atletas de futebol, são caracterizadas pela velocidade de absorção dos sinais, pela velocidade da transmissão do estímulo, bem como pelas altas exigências na programação dos grupamentos musculares envolvidos.
   O tempo de reação pode ser melhorado a partir de reações escolhidas do que em reações simples, porque a um estímulo simples pode-se reagir de forma pré-programada, enquanto em reações com escolha a resposta só é programável após o intervalo de reação ter-se iniciado.

   Em reações simples ( por exemplo: saída do sprint) há melhoria de 10% - 18%; já em reações complexas de escolha, como as que são típicas para atletas de futebol, alcançam-se melhorias ao redor de 30- 40%.
   Além disso, há diferenças entre reações acústicas ópticas e táteis, e para tanto, vou recorrer ao futebol Americano para mostrar como um atleta reage a um estímulo auditivo.
   No futebol a reação óptica tem o papel mais importante, frequentemente, pois essas reações partem do comportamento de um companheiro de equipe ou de um adversário quando, por exemplo, é realizado um passe conjuntamente à aceleração do companheiro de equipe como chamada para uma tabela, um drible do adversário com posterior condução de bola etc.

   Já os sinais acústicos, visam chamar a atenção do companheiro de equipe que está ao lado, em certas ocasiões, tem um caráter de comando ou de auxílio (“vai”-  “chuta”-  “é sua”- “pisa”- “minha”-  “atrás”-  “vira”-   “cuidado”-  “ladrão”-  “gato”) e sempre nestes casos, o alerta ou chamado feito ao companheiro, é realizado com diferentes entonações de voz e não apenas quando do uso de palavras, mas também de gritos.
   Os atletas mais experientes demonstram frequentemente a capacidade de previsão, pelos índices pouco notáveis de alteração da posição e redistribuição do movimento muscular, das próximas ações do adversário e reagem oportunamente a isto.
   Essa capacidade pode ser desenvolvida durante os treinamentos, e os atletas são estimulados a reagir, acompanhando a mímica ou sinais de diferentes formas e cores.
   Nesses casos, ganha importância o conhecimento do adversário e de suas técnicas preferidas.
   Além da concentração ligada à situação de jogo, a capacidade de reação depende, em grande parte, da motivação e do estado de prontidão dos atletas.
   Mas vamos retornar a minha citação sobre um atleta da NFL, não um simples atleta, mas  uma verdadeira lenda viva.
   Estou falando de JERRY RICE, simplesmente o maior WIDE RECEIVER da História.
Ele atua em uma posição em que se utiliza o maior uso de força, para a execução dos arranques finais, rumo às vitórias.
   Este magnífico atleta possui 1549 recepções na carreira, saindo da linha de scrimmage e recebendo a bola.
   Nesta avaliação realizada por diversos cientistas em um estúdio coberto, Jerry Rice seria avaliado, saindo parado, para um poderoso arranque de 10 jardas (APROXIMADAMENTE 10 METROS – 1 JARDA = 0,9144 M).
   Aqui, o intuito principal era comprovar na prática, utilizando-se um atleta de ponta em sua modalidade, que os atletas reagem mais rápido aos estímulos auditivos, em relação ao visuais.
   O tempo de reação humano é em média 0.19s, e o tempo de reação de Jerry após um sinal auditivo sinalizando sua largada para um arranque de 10 jardas foi de 0.16s, ou seja, 15% mais rápido.
   Apenas como comparação entre quadros estatísticos temos:

Tempo de reação motora simples com diferentes estímulos

Contingente                         Caráter do sinal                 Tempo de reação (s)
         Desportistas                                            Som                                           0,05 - 0,16
                                                                            Luz                                            0,10 - 0,20
     Não-desportistas                                        Som                                    0,15 - 0,25 ou mais
                                                                            Luz                                     0,20 - 0,35 ou mais

   Em uma segunda tentativa, Jerry Rice alcançou o tempo de 0.13s, saindo da linha de 10 jardas, ou seja, ele é 0.06s mais rápido do que nossa habilidade natural para reagir.
   Somente como uma forma de comparações, os cientistas dizem que existem vários tipos de raios e estimam que um raio dure em média 0.15s; interprete então a façanha da reação por sinal auditivo do nosso espetacular atleta Jerry Rice.
   É evidente que ele consegue arrancar muito rápido porque está reagindo a um estímulo auditivo ( o som de uma contagem no lugar de um estímulo visual), porque quando as ondas de som entram no ouvido dele, elas levam 0.008s para chegar ao cérebro.
   O cérebro então, envia a mensagem para o resto do corpo dele e o corpo começa o movimento.
   O processo é diferente com os estímulos visuais, apesar de luz viajar 870 mil vezes mais rápido que o som, pois o cérebro tem que frear para processar a informação antes de mandar a mensagem de ação para o corpo.
   Nós reagimos ao som 15% mais rápido do que reagimos à visão. Isso explica como Jerry Rice consegue sair da linha de 10 jardas como um raio.
   Você tem a curiosidade de saber qual o outro motivo para tamanha reação rápida e precisa?
   É muito simples:  É porque ele é JERRY RICE , e apesar de ser tão veloz, ainda tem que burlar a marcação sobre si, pois um WIDE RECEIVER, tem que se livrar dos defensores adversários.
   Em um futebol imensamente competitivo como o nosso, todas as formas de treinamentos que redundem em ganhos honestos, reais e práticos, devem ser utilizados e para tal, a especificidade desta atividade, deve ser notória.

   Pesquisas demonstram uma significativa melhora sobre o tempo de reação, após cerca de 10 a 12 minutos do início da sobrecarga.
   Isso deve ser levado em consideração quando da realização dos trabalhos de aquecimento antes dos jogos, pois os mesmos devem ser bem dinâmicos, descontraídos e com ações e gestos que envolvam ações técnicas à que serão submetidos.

      Tenho realizado um treinamento que retrata muito bem, tudo o que aqui foi anunciado.
      Ele pode ser realizado em apenas 1/2 campo, ou utilizando-se o campo todo, com um número grande de atletas (grupo completo de profissionais).
      Formato duas equipes e estipulo antecipadamente várias regras à serem obedecidas, tais como: 
           A - Quando a equipe de posse de bola, ultrapassar a linha de meio campo, não se pode mais recuar a mesma para o campo defensivo ( feito isso, perde-se a posse de bola imediatamente);
           B - Os arremessos laterais serão feitos com os pés, no campo ofensivo e com as mãos no defensivo ( O erro é punido com a perda de posse de bola);
           C - Somente no espaço que compreende o grande circulo (meio de campo), será possível a passagem da bola de um lado para o outro (defesa / ataque );
           D - Não é permitido o recuo de bola para os goleiros em hipótese alguma ( acontecendo isso, será anotada uma cobrança de penalti para a equipe adversária);

           E - Os gols feitos de cabeça dentro da pequena área valem 2 gols e os feitos dentro da grande área 3 gols;
           F - Para os chutes os valores são invertidos em relação às áreas;
           G - Para os chutes de fora das áreas, os gols tem peso 4;
           H - A equipe que anotar um gol de cabeça dentro da grande área, tem o direito de sair com a bola, recomeçando assim o jogo com seu respectivo goleiro;
      Várias outras regras podem ser colocadas em prática para tornar o treinamento ainda mais competitivo, e o que é melhor, atingindo um dos seus objetivos principais que é a atenção redobrada por parte de todos os atletas, envolvendo o raciocínio rápido, a atenção, a concentração constante e o tempo de reação seja ele óptico, visual ou até pelo tato.
    Mesmo estas que aqui estão podem e devem ser alteradas, pois com o passar do tempo, as regras são assimiladas e então acabam por perder o sentido da novidade, ficando todo o processo de reação comprometido.
   
     Aqui todos irão fazer sinais aos companheiros ou irão gritar e até usar seus movimentos ou gestos corporais para alertá-los sobre as inúmeras regras impostas.
   Algumas dessas regras à mais são:

   1- As duas equipes deverão atuar com as mesmas cores de camisa;
   2- No campo ofensivo somente pode-se dar 2 toques na bola (ultrapassou o limite, perde-se a posse da mesma imediatamente);
   3- No campo defensivo pode-se dar até 3 toques na bola (ultrapassou, perde-se a posse da mesma);
   4- No espaço que compreende o grande circulo (meio campo), os toques são liberados;
   5- No campo ofensivo a bola não pode parar (parou, perde-se a posse da mesma imediatamente);
   6- No campo defensivo, a bola pode parar, mas muito rapidamente (10 segundos);
   7- Determina-se inicialmente que 1 atleta de cada equipe, estará livre para tocar à vontade na bola, tanto no campo defensivo, quanto na ofensivo, mas não poderá marcar gols;
   8- Periodicamente, esses atletas podem ser substituídos, desde que toda sua equipe o saiba e não necessariamente o adversário. Se por acaso aparecerem 2 atletas tocando livremente na bola na mesma equipe, então será marcada uma penalidade máxima para o adversário;
   9- Uma outra alternativa para que essas trocas, sejam mais constantes, é municiar esses 2 atletas com camisas que estarão seguras pelas mãos e bem visíveis por todos. A um comando ou de livre espontânea vontade, a camisa é passada à outro companheiro,
(somente eles estarão livres quanto aos toques na bola, mas se nesta troca a camisa cair no chão, então será anotada uma penalidade máxima para o adversário).
      Pode-se também realizar esse treinamento, utilizando-se 3 equipes, sempre 2 jogando contra apenas 1, sendo que a equipe solitária, terá os toques na bola liberados e pode deixar a bola parar e as outras 2 equipes somente poderão dar 1 toque a mesma e não poderão deixá-la parar.
      São muitas as opções para que o treinamento atinja seus objetivos, então coloque em prática sua criatividade e procure trazer para dentro do treino, situações inusitadas, diferentes mesmo mas que podem ocorrer.

   Todos nós reagimos à estes estímulos, mas se podemos proporcionar aos nossos atletas situações reais de jogo via treinamento que espontâneamente ou não lhes induza à reagir rápido e seguramente, então poderemos desfrutar de mais mecanismos para atingirmos o resultado que tanto buscamos. 

   Sou um profissional que gosta muito da leitura e de pesquisas e para tanto, algumas das informações aqui postadas, foram compiladas das seguintes fontes:

   - LIVRO  -   FUTEBOL   (Treinamento Desportivo de Alto Rendimento)
                      Antonio Carlos Gomes  -  Juvenilson de Souza

   - LIVRO  -   FUTEBOL  TOTAL   (O treinamento Físico no Futebol )
                      Jürgen Weineck

   - Canal    HOME&HEALTH

terça-feira, 1 de março de 2011

Coordenação Intra e Intermuscular

O trabalho de transferência de forças, nome não muito aceito por vários fisiologistas, que preferem chamá-lo de trabalho de coordenação intra e intermuscular, também pode ser designado como treinamento de força especial, é mais um método muito utilizado para o desenvolvimento da força em atletas de futebol.
Vamos então apresentá-lo, pois, o tenho realizado com muito sucesso, quanto à sua eficácia e segurança.

                                  COORDENAÇÃO  NEUROMUSCULAR
A ação motora (execução de qualquer movimento) caracteriza-se por determinada ordem de ativação de unidades motoras no músculo e pela interação de diferentes músculos.
A ordem( sequência) de ativação e o número total de unidades motoras envolvidas em uma unica contração muscular são determinadas pelo mecanismo de coordenação neuromuscular ( intra e intermuscular).
O número de unidades motoras que podem ser mobilizadas no caso de contrações de força máxima não supera, geralmente, entre as pessoas não treinadas, 25 a 30% do número total, sendo que, no caso dos desportistas treinados e adaptados às cargas de força, esse número pode ser de 80 a 90%.
Os experimentos científicos mostram que a força a ser desenvolvida pelo músculo constitui o fator que determina a quantidade e o tipo das unidades motoras recrutadas.
As unidades motoras de contração lenta são as primeiras a entrar em ação.

Quando elas já não são capazes de desenvolver a força necessária, ocorre o recrutamento de unidades motoras de contração rápida.
Por exemplo: quando se realiza o exercício com peso baixo e em um ritmo lento, a maior parte do esforço é assegurada pelas fibras tipo I. Porém, com o aumento da velocidade e do peso, as fibras tipo II passam a fazer parte do trabalho.
Em um trabalho no qual se manifesta a força máxima, ocorre o recrutamento das fibras IIa, IIab,IIb.
Com velocidades baixas e pesos consideráveis, as fibras musculares  de ambos os tipos se contraem de modo sincronizado, contribuindo no conjunto para a força de tração, mas à medida que aumenta a velocidade de contração, diminui cada vez mais a participação das fibras tipo I, que já não conseguem se contrair, e a força total de tração dos músculos diminui.
O trabalho muscular prolongado ( que requer a manifestação de resistência) está ligado ao envolvimento alternado de diversas unidades motoras, preferencialmente as fibras tipo I.
A partir do momento em que algumas unidades motoras se fatigam, entram em cena outras. Se o caráter do trabalho não admite tal substituição mútua, a manutenção da capacidade de trabalho fica ligada ao reforço de impulsos nervosos.
Dessa forma, ao regular a carga do peso e a velocidade da execução do exercício, pode-se efetuar a influência seletiva de treinamento sobre as unidades motoras de diferentes tipos.
Outro indicio de perfeição da coordenação neuromuscular, determinante da revelação da capacidade de força, é a concordância da contração e do relaxamento dos músculos durante a execução do movimento (coordenação intermuscular).
Os músculos cuja ação conjunta condiciona a possibilidade de realização de um determinado movimento são chamados de sinergistas, e os  outros músculos ( antagonistas), devido a seu tônus ou ação em direção contrária ao movimento, asseguram sua suavidade e protegem a articulação de um traumatismo.
A repetição dos exercícios em regime específico leva à eliminação da tensão excessiva dos músculos antagonistas na execução desses movimentos e assegura, ao mesmo tempo, o trabalho simultâneo dos músculos sinergistas. A eliminação das perdas de força dos músculos ligados a sua interação não eficiente, durante a execução dos movimentos, leva à elevação do significado resultante da força.
A qualidade de manifestação da capacidade de força depende também de uma série de outros fatores, tais como da manutenção energética, das propriedades elásticas dos músculos em ação, do grau de mobilização psicológica do desportista, etc.

                             

Esses fatores, portanto, devem ser levados em consideração no processo de treinamento da capacidade de força.
TIPOS DE FIBRAS:    I -  fibras de contração lenta e resistentes à fadiga, usadas para produção de força de pequena magnitude, mas de longa duração
                                    Ic
                                   IIc - fibra intermediária oxidativa, tem características entre as de contração rápida e as de contração lenta
                                   IIac
                                   IIa - fibra de contração rápida intermediária glicolítica e resistente à fadiga, contribuem por períodos prolongados, para a produção de força relativamente elevada
                                   IIab
                                   IIb -fibra de contração rápida glicolítica e sensíveis à fadiga, sendo adequadas para a produção de níveis elevados de força de curta duração

A título de exemplo dos exercícios deste tipo, pode ser mencionada a flexão do joelho com a barra nos ombros para o 1/2 agachamento, o afundo e a subida em um banco ou plinto, com uma altura de 40 a 50 centímetros), sendo o peso total, estipulado junto aos atletas,que atenda inicialmente à um valor alto, para que se consiga mediante o mesmo, um recrutamento quase que total das fibras musculares(como por exemplo, na ordem de 120% do peso com que o atleta conseguiu levantar-se da posição de semi flexão). Aqui, como em qualquer outro treinamento, pesa muito a experiência do preparador físico, quanto à conceituação das cargas que serão inicialmente utilizadas, levando-se também em consideração o período do ano em que o trabalho será iniciado e principalmente, a elaboração de uma programação prévia e periódica desde o início da temporada.

Os exercícios com a extensão forçada dos músculos são executados com a velocidade de 4 a 6 segundos para cada movimento, com 3 a 4 repetições em três séries, sendo o intervalo de repouso entre as séries de 3 a 5 minutos, em função do volume dos músculos envolvidos no trabalho.
Muito importante, é o conhecer de algumas limitações deste treinamento, pois apesar de proporcionar respostas seguras quanto aos ganhos dele provenientes, estamos sempre envoltos por uma quantidade abusiva de jogos e uma vez que a execução desses exercícios está ligada a cargas altas nas articulações, devemos aplicá-los sempre que nos depararmos com uma semana sem jogos, ou  até se for o caso, realizando apenas um dos modos de execução, diminuindo o seu volume, mas mantendo a intensidade.
Outra opção, também é realizar o trabalho de grande recrutamento das fibras musculares, na academia mesmo (musculação), e depois realizar no gramado, o trabalho de saltos e as acelerações.

As primeiras sessões, devem ser iniciadas com cargas de adaptação, um peso que todos os atletas sustentem com muita facilidade e até as repetições podem ser aumentadas, passando até para um máximo de 6, em até 4 a 6 séries.
Dores musculares serão sempre menores com esse período adaptativo, e com isso, as restrições pelos atletas e os consequentes ganhos de força com segurança e precisão, serão sempre o ponto alto deste trabalho.
Na prática do treinamento desportivo, são muito difundidos os métodos de preparação de força elaborados com base na combinação dos regimes excêntricos e de superação do trabalho muscular, sendo os mais populares, os exercícios de saltos.
Esses exercícios são aproveitados com êxito para o treino de força explosiva dos músculos das pernas ( chamada springness), durante o treinamento com atletas de diferentes níveis.
Os exercícios de saltos são executados com impulsão unica ou múltipla, repetida com uma ou duas pernas.
Os saltos múltiplos com potência máxima abrangem geralmente, em uma série, 3 a 8 impulsões,sem aceleração ou com pouca ( por exemplo; 5 saltos em uma perna, pernas alternadas ou em duas pernas, saltos através dos bancos, bolas, barreiras, etc ).
A duração dos intervalos de descanso entre os exercícios é de 10 a 20 segundos e geralmente fica condicionada pelo tempo de regresso do atleta à posição inicial para a execução do exercício.
O número de repetições em uma série é de 3 a 4, sendo o intervalo entre as séries de 3 a 5 minutos.
Em cada sessão são efetuados não mais de 2 ou 3 séries no treinamento da força explosiva e 6 a 10 séries no treino da resistência de salto.
Sendo o futebol, um desporto coletivo, com predominância de força e velocidade, o desenvolvimento da força especial é fundamental.
Logo, compreender as manifestações integrativas do treinamento da força especial e incorporar esse princípio ao programa de treinamento, dará aos futebolistas um diferencial na capacidade competitiva.
A força máxima é uma capacidade básica que influencia o desenvolvimento e o aperfeiçoamento da força especial. Assim, o aumento da força máxima está relacionado diretamente ao aumento da força especial, pois se tem observado uma correlação significante entre o resultado do teste de 1 RM, a altura de salto vertical e os movimentos de aceleração e de velocidade no futebol.
Da mesma forma, a força explosiva é uma capacidade que também influencia o desenvolvimento e o aperfeiçoamento da força especial.

VERKHOSHANSKI (1990), relata que a execução de exercícios de força explosiva imediatamente após a execução de exercícios de força máxima, é um fator essencial para o aumento da força especial do desportista.
Os exercícios de força máxima são utilizados para aumentar os estímulos neurais e os exercícios de força explosiva são usados para a otimização em movimentos próximos ou específicos à modalidade desportiva.
Portanto, uma sessão de treinamento direcionada ao aumento da força especial de atletas de futebol profissional, consiste na execução de exercícios de força máxima ( alta intensidade e baixo volume) seguido de exercícios de força explosiva ou de velocidade ( multissaltos, pliometria, corrida em rampa, corrida tracionada, exercícios de aceleração e de velocidade), realizados de forma cíclica e acíclica, e exercícios de resistência.
                                  

EXEMPLO DE TRABALHO DE TRANSFERÊNCIA DE FORÇAS 


1- EXERCÍCIO DE FORÇA MÁXIMA POR MEIO DE EXERCÍCIOS DE MUSCULAÇÃO NA ACADEMIA DO CLUBE, É UMA GRANDE OPÇÃO, ( APENAS MEMBROS INFERIORES E COM CARGAS ELEVADAS, 80 A 100% DA CARGA MÁXIMA PARA EXTENSORES E FLEXORES E PARA ADUTORES, ABDUTORES, MUITO CUIDADO COM A CARGA A SER EMPREGADA, ( EU NÃO RECOMENDO O TESTE DA CARGA MÁXIMA PARA ADUTORES E ABDUTORES ) CONVERSE COM OS DEMAIS PREPARADORES E COM  A FISIOLOGIA À RESPEITO E PARA AS PANTURRILHAS, CARGAS EM TORNO DE 70%).PARA A OPÇÃO PRINCIPAL; EXERCÍCIOS COM BARRAS LIVRES COM PESOS (ANILHAS), NO GRAMADO, PARA A REALIZAÇÃO DO 1/2 AGACHAMENTO, AFUNDO E SUBIDA NO BANCO, ( UM EXEMPLO , SERIA COMEÇAR COM 30 A 40 KILOS).
COMECE, DIVIDINDO O GRUPO DE PROFISSIONAIS POR POSIÇÕES EM HORÁRIOS DIFERENTES, PARA EVITAR-SE AGLOMERAÇÕES E DISTRAÇÕES.
DIVIDIR OS ATLETAS EM TRÊS GRUPOS BEM À FRENTE DE CADA SEQUENCIAL:
A- 1/2 AGACHAMENTO: 4 A 6  REPETIÇÕES - 4 A 6 SALTOS SEGUIDOS SOBRE AS BARREIRAS DE 40 A 70 CM - TERMINANDO COM  UM SPRINT DE 5 A 30 M CÍCLICO OU ACÍCLICO, COM OU SEM BOLA,  REALIZAR TODAS AS SÉRIES ( 2 A 4), PARA SOMENTE DEPOIS, MUDAR PARA OUTRO SEQUENCIAL.

B- AFUNDO: MESMO PROCESSO.

C- SUBIDA NO BANCO:  MESMO PROCESSO 

Esse trabalho é simplesmente sensacional, mas deve ser executado com muito cuidado, pois é muito desgastante, podendo alguns atletas, sentir algumas dores musculares por até 2 a 3 dias.
Os ganhos de força são imensos e a adaptação dos atletas também é simples e rápida.



2-  EXERCÍCIOS DE FORÇA EXPLOSIVA COMO SALTOS SOBRE BARREIRAS, PLIOMETRIA, RAMPA, TRAÇÃO OU SPRINTS DE 5 A 30 METROS.
3-  EXERCÍCIOS DE RESISTÊNCIA DE FORÇA, TAIS COMO SÉRIES DE 12 A 20 SALTOS CONSECUTIVOS, CAMPO REDUZIDO, ETC.