quinta-feira, 24 de março de 2011

UM COMEÇO DIRECIONADO POR DEUS

   Recordo-me quando em 1974, meus pais me disseram que estaríamos nos mudando da cidade de São Paulo para o interior, mais precisamente para a cidade de Rio Claro.
   Inicialmente foi um tremendo choque pois eu jamais esperava sair da Capital, mas como éramos sócios de um clube maravilhoso situado ao pé do pico do Jaraguá em São Paulo (Jaraguá Clube Campestre), o primeiro ano de residência no interior foi marcado pela expectativa da chegada do final de semana, pois todas as sextas feiras à noite, voltávamos para a Capital para desfrutar o sábado e o domingo neste paraíso de clube.

   Mas tudo muda e para minha grata surpresa, algo novo aconteceu comigo quando fui convidado por um colega de colégio (GILMAR MURARI) em 1975, para começar a treinar em um time amador chamado Vasco da Gama.
   É verdade que eu sempre gostei de jogar futebol, mas começar mais oficialmente, me transformou e comecei desde então à projetar mesmo que ainda timidamente e em segredo de estado, minha carreira profissional como goleiro.
  Para não me alongar muito, já no ano seguinte (1976), comecei à disputar campeonatos da categoria juvenil pelo próprio Vasco da Gama (Vasquinho) e em 1977 ganhei meu primeiro título nesta categoria e sendo também o goleiro menos vazado.
   Ganhamos o Torneio Início e o Campeonato juvenil, em uma final no Estádio Municipal de Rio Claro, enfrentando exatamente os donos da casa; o Rio Claro F.C.
   Nesta minha primeira final, já pude passar por uma situação inusitada, pois o atacante do Rio Claro era nada mais nada menos, que meu próprio irmão.
   Fui campeão e acabei recebendo o convite para me transferir para as categorias de base do Rio Claro F.C, onde permaneci pouco tempo pois já em 1978 comecei a treinar entre os profissionais e dois anos mais tarde (1980), fui profissionalizado.
   Atuei como atleta profissional em poucos e pequenos clubes mas que tinham uma grande tradição no interior do Estado de São Paulo e de Minas Gerais, tais como, A.E.VELO CLUBE RIOCLARENSE, ARAXÁ E.C e FLUMINENSE F.C da cidade de Araguari ( MG).
   Minha carreira de atleta profissional durou de 1980 à 1987, apenas sete anos, mas que muito representaram para mim, como aprendizado prático, pois como iniciei meu curso de educação física em 1981, na UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA ( UNIMEP), e na época eu jogava no Rio Claro F.C, por diversas ocasiões eu assumi a preparação física no profissional mesmo, quando das trocas de comissão técnica (não eram tão constantes como hoje, mas também aconteciam).
   Terminei meus estudos na UNIMEP em 1985, mas ainda joguei por mais dois anos profissionalmente, até que resolvi encerrar minha carreira pois já estava noivo desta Mulher maravilhosa que o meu senhor e salvador JESUS CRISTO me presenteou, e com a qual me casei em dezembro de 1989, completando neste 2011, exatos 21 anos de harmonia e bençãos desmedidas do SENHOR, em uma união conjugal realmente alicerçada em DEUS, (sentia que com os salários ganhos como goleiro, não teria condições de manter uma família).
   Aqui, em 1989 eu já estava trabalhando como preparador físico na cidade de Santa Bárbara D'oeste, no União Agrícola Barbarense tendo como técnico, EUSÉBIO, que jogou no Santos F.C, com o nosso querido e fantástico EDSON ARANTES DO NASCIMENTO - PELÉ.

   À seguir estarão postadas algumas fotografias, que representam um pouco da minha humilde trajetória inicial, como atleta iniciante em São Paulo, juvenil e profissional em Rio Claro e posteriormente, já como preparador físico.
   Sou imensamente agradecido à DEUS, por ter ELE me proporcionado um começo extraordinário e o mais importante, foram as pessoas colocadas por ELE em meu caminho que imensamente contribuíram para o meu constante crescimento.
   Abro parênteses para uma pessoa em especial; Um homem íntegro, grande profissional ( começou sua carreira como goleiro no cruzeiro de Belo Horizonte e teve como suplente por um bom tempo, o famoso RAUL PLASSMANN, que tinha uma marca registrada quando assumiu a titularidade; jogava com uma camisa amarela ) e excelente chefe de família.
   Estou falando do meu Querido e monumental amigo ANTONIO DOS SANTOS NASCIMENTO, popularmente conhecido por TONHO.
   Este grande homem me lançou pela primeira vez como goleiro em uma partida oficial em 1979 atuando no RioClaro F.C, pelo Campeonato Paulista da segunda divisão na cidade do Espírito Santo do Pinhal, contra o Grêmio Esportivo Ginásio Pinhalense.
   Como se isto não fosse o suficiente, alguns anos mais tarde, também foi mais uma vez o responsável direto pelo meu início de carreira profissional, agora como preparador físico.
   AMO as vidas dele e de sua querida esposa, Dona SOLANGE, e também de seus 3 filhos; GERALDO, FABRÍCIO e RODRIGO.
   Só posso dizer, muitíssimo obrigado pela confiança e que DEUS continue à abençoá-los rica e poderosamente.


  (Jaraguá Clube Campestre - São Paulo - Capital), eu estava dando meus primeiros passos como goleiro.

Juvenil Rio Claro F.C, 1978 - jogo contra a equipe do Velo Clube (derbi da cidade)
Estádio Benito Agnello Castelano

Equipe profissional do Rio Claro F.C, 1981( Ano em que entrei na  Universidade)

Araxá Esporte Clube, 1986 ( 2º Divisão de Minas Gerais)

Grande Hotel do Barreiro na cidade de Araxá MG ( ESTÂNCIA TURÍSTICA E HIDROMINERAL)
CONCENTRAÇÃO PARA O JOGO DE ESTRÉIA NO CAMPEONATO MINEIRO DA 2º DIVISÃO DE 1986.
ESTOU AO LADO DO TÉCNICO CLAUDIO SAUL

ARAXÁ E.C 1986, eu sou o goleiro,o primeiro atleta agachado,da esquerda para a direita, HOJE PROF. DR. JOSÉ MARIO CAMPEIZ, é o preparador físico do técnico ADILSON BATISTA, e este por sua vez, foi meu atleta quando trabalhei no S.C.CORINTHIANS PAULISTA em 2000.
ARAXÁ ESPORTE CLUBE

PARTIDA DE APRESENTAÇÃO DA EQUIPE DO ARAXÁ PARA A TEMPORADA 1986.
JOGO CONTRA UMA SELEÇÃO DO SINDICATO DOS ATLETAS PROFISSIONAIS DO ESTADO DE MINAS GERAIS.
AO MEU LADO ESQUERDO, WILSON PIAZZA( TRI CAMPEÃO MUNDIAL COM A SELEÇÃO BRASILEIRA NO MÉXICO - 1970)

C.A.LINENSE 1988
UNIÃO AGRÍCOLA BARBARENSE, 1989

UNIÃO AGRÍCOLA BARBARENSE, 1989

UNIÃO AGRÍCOLA BARBARENSE, 1989
UNIÃO AGRÍCOLA BARBARENSE, 1989 ( DEUS ME PROPORCIONOU O PRIVILÉGIO DE TER TRABALHADO SOB O COMANDO DO TÉCNICO EUSÉBIO, O 2º EM PÉ DA ESQUERDA PARA DIREITA).
ELE SIMPLESMENTE JOGOU COM PELÉ NO SANTOS F.C

FERNANDÓPOLIS F.C 1990, o goleiro ao meu lado é o HAROLDO, preparador de goleiros profissionais do SÃO PAULO F.C, desde a saída de ROBERTO ROJAS, com quem também obtive o privilégio de trabalhar no próprio SÃO PAULO F.C em 2001.
FERNANDÓPOLIS F.C, 1990

FERNANDÓPOLIS F.C, 1990

 COMERCIAL F.C (Ribeirão Preto) em 1990.
TÍNHAMOS AQUI UM CAMPEÃO MUNDIAL INTER CLUBES PELO GRÊMIO RS (OSWALDO,O PRIMEIRO AGACHADO DA DIREITA PARA ESQUERDA)
COMERCIAL F.C 1990
C.A.TAQUARITINGA 1991, o homen de camiseta preta ( o último em pé da direita para a esquerda, é o meu grande amigo TONHO ).
A.A. FRANCANA, 1991.
(ex-Estádio da Fonte Nova na cidade de Salvador BA), treinamento do E.C BAHIA em 2004.

DESEQUILÍBRIO MUSCULAR : UM PERIGOSO ADVERSÁRIO

   Dentre os muitos cuidados que nós preparadores físicos devemos te com relação aos trabalhos programados e aplicados aos atletas, um deve estar no topo, principalmente porque o período de preparação inicial é diminuto e também durante o período competitivo, os espaços para avaliações são sufocados pela carga abusiva de jogos.
   A avaliação isocinética é de fundamental importância, pois a Força impera na maioria das ações em campo e para que venha à ser muitíssimo bem aplicada nos treinamentos, é essencial sabermos como a razão entre extensores/ flexores do joelho está.
   Uma simples divisão entre o valor do agonista e do antagonista, seja relacionado ao pico de torque ou a força máxima, expresso em percentagem pode nos fornecer o grau de equilíbrio do atleta.
   Nós possuímos os extensores do joelho, mais fortes em relação aos flexores, mas isso deve estar dentro de uma relação de forças, pois caso contrário, as lesões poderão ocorrer até freqüentemente, causadas por um desequilíbrio muscular, ou seja, neste caso em particular, por um fortalecimento exagerado do extensor em relação ao flexor ou vice-versa.
   Por exemplo: No joelho a relação entre o pico de torque dos flexores/extensores está por volta de 60%, sendo portanto a diferença entre extensores ( mais fortes) e os flexores ( mais fracos) de 40%.
   O equilíbrio é um conceito relacionado ao estado de um sistema ( conjunto de elementos interconectados harmonicamente, de modo a formar um todo organizado) ou mais sistemas no qual não ocorrem mudanças no total que possam ser observados claramente, ou seja, no qual cada alteração está compensada por outra complementar.
   O conceito de equilíbrio funcional da estrutura musculotendínea reflete um parâmetro importante na adequada realização da prática dos desportos.
   Por causa de prevenção de lesão, toma-se o cuidado em controlar a razão da força muscular em articulações, como o joelho.
   Esta se caracteriza como a articulação que mais sofre lesão no futebol, pois o joelho é uma estrutura altamente solicitada e exposta a traumas, sendo a ruptura do ligamento cruzado anterior uma das lesões mais comuns.
   A evolução natural das lesões ligamentares pode afetar a prática do esporte competitivo e o correto diagnóstico e tratamento destas lesões podem proporcionar um retorno do atleta ao seu nível prévio de atividade.
   O atleta de futebol, pelas próprias características de sua modalidade, necessita ter elevada potência nos membros inferiores, a fim de proporcionar uma grande capacidade de força explosiva e aceleração.
   Além disso, ter que executar com propriedades diversas habilidades motoras como, saltar, chutar, passar, driblar, etc, há a necessidade portanto de se obter um atleta com o quadríceps potente para superar as demandas físicas da profissão.
   Este é um ponto crucial, que inúmeras vezes leva muitos preparadores físicos, à execução exagerada de uma carga elevada com suas respectivas repetições, quando dos trabalhos em sala de musculação, sobre o músculo extensor do joelho, esquecendo do seu antagonista, os Isquiotibiais, criando assim um desequilíbrio entre a força produzida para estender e flexionar o joelho.
   No entanto tem-se a necessidade de isquiotibiais fortes o suficiente para suportar uma grande força excêntrica causada pelo seu antagonista no momento da extensão do joelho, como em movimentos de chute, arrancadas, velocidades etc.
   Por isso a obrigação de uma musculatura de isquiotibiais bem desenvolvida, a fim de se prevenir lesões musculares ( distensões, rupturas ligamentares etc).
   Portanto, deve-se sempre respeitar os períodos destinados para as avaliações e a aplicabilidade prática dos resultados nelas coletados, para que possamos sempre escolher os exercícios e os aparelhos de musculação corretos, para proporcionar um treinamento ideal e seguro.
   Ao determinar exercícios de cadeia cinética aberta, precisamos ter o cuidado em escolher aparelhos que proporcionem torques de resistência, de certa forma, específicos com relação as exigências musculares que a partida de futebol determina, e com isso os exercícios na sala de musculação produzirão o mesmo torque, ou seja, o torque máximo ocorrerá no mesmo comprimento muscular que os movimentos do desporto estabelecem.
   A característica da roldana a ser utilizada, principalmente para as articulações do joelho e do quadril, deve representar a mesma exigência com relação ao comprimento muscular que o futebol determina, e deste modo, fornecendo o mesmo torque de resistência que o movimento do futebol oferece, evitando o desequilíbrio muscular.
   Roldanas que produzem, por exemplo, torques de resistência crescente não são recomendadas para o aparelho de flexão do joelho, pois os isquiotibiais necessitam ser expostos a maiores cargas no seu maior comprimento muscular, ou seja, no início do movimento e/ou no final da extensão do joelho, a fim de se prevenir o seu encurtamento, distensões e a excessiva translação anterior do fêmur (ruptura do LCA ).
   Por outro lado, roldanas que produzem torque de resistência decrescente, não são indicadas para o aparelho de extensão do joelho, visto que o comprimento muscular mais exigido no quadríceps é no final da extensão, para os movimentos como chutar, saltar e arrancar, além de ocorrer uma maior estabilização da patela nos últimos 30º de extensão, por causa de um fortalecimento maior dos vastos ( mediais e laterais) a partir dessa angulação.
   O equilíbrio entre quadríceps/ isquiotibiais torna-se um dos principais cuidados, junto com o tipo de roldana, que se deve ter na utilização dos aparelhos de musculação no futebol.
   A razão entre esses dois grupos musculares se torna um indicador de futuras lesões nos mesmos, tanto para distensões como para ruptura de ligamentos, lesão essa constantemente presente no futebol.
   Nesse desporto, observa-se a ruptura do ligamento cruzado anterior, quando o quadríceps é fortemente contraído ( após um salto, um chute no vazio...).
   A sua ruptura pode, igualmente ocorrer nos entorses de joelho por exemplo, quando ocorre a rotação do joelho com o pé fixo no solo.
   Por isso, a necessidade de se buscar e controlar o equilíbrio dos músculos flexores e extensores do joelho.
                                 DIFERENÇAS ENTRE EXERCÍCIOS DE CADEIA CINÉTICA ABERTA E FECHADA

    ABERTA:                  - O segmento distal está livre
                                      - Aumento do cisalhamento articular
                                      - Diminui compressão articular
                                      - Apenas um plano de movimento
                                      - Apenas um músculo ( o agonista) é mais envolvido
     exemplo:                    Rosca direta
                                       Cadeira extensora ( qualquer elevação)

   FECHADA:                  - O segmento distal é fixo
                                       - Diminui cisalhamento articular
                                       - Aumenta compressão articular
                                       - Movimento de múltiplos ângulos
                                       - Músculos antagonistas e agonistas bem envolvidos
    exemplo:                     Flexão de braço muito usada em exercícios do exército.

   O equipamento para avaliação isocinética da BIODEX, é a versão SYSTEM 4 , a mais moderna existente, tendo este aparelho como função principal, medir a força isocinética do atleta, coletando todos os níveis de força dos membros inferiores, superiores e de quadril em diversos ângulos diferentes, e com isso pode-se individualizar o treinamento e corrigir possíveis disfunções apresentadas.
   Pode-se com este equipamento, usá-lo para aplicação clínica de modo passivo na forma isométrica, modo isotônico e também reativo excêntrico.
   Na forma isométrica mede-se a força muscular do atleta sem movimento, que é importante para auxiliar a fisioterapia de um atleta lesionado que não pode fazer movimentos dinâmicos.
   O modo passivo normalmente é utilizado em casos pós- operatórios, com movimentos em ângulos pequenos de forma crescente, acompanhando a recuperação.
   No modo isotônico é usado para um sistema de treinamentos que aperfeiçoa o nível de força máxima do atleta e o modo reativo excêntrico, é para melhorar a força útil do atleta, que é a força Especial que o atleta utiliza durante a partida.
   No futebol, a velocidade e os deslocamentos rápidos devem ser aprimorados cada vez mais, para um melhor rendimento dos atletas, já que os quase 1200 movimentos realizados por todos durante uma partida, grande parte envolvem trabalhos de força.
   Na metodologia do treinamento de força, alguns cuidados devem ser tomados.
   O volume de treinamento, a intensidade e o controle da prescrição são exemplos disso, e com o Biodex 4 é possível identificar a evolução dos níveis de força dos atletas, bem como individualizar o sistema de treinamento, para o auxilio do processo de desempenho evolutivo em campo.
   Alguns grandes clubes Brasileiros possuem este equipamento em suas dependências, e isso facilita em muito, pois o seu uso é muito freqüente não apenas para a execução das correções quando dos desequilíbrios musculares detectados em avaliações, mas também para o trabalho de ganho de força propriamente dito, realizado aqui com uma segurança total.
   Tenho trabalhado nos últimos clubes, com os melhores profissionais no que se diz respeito ao controle e manuseio deste magnífico equipamento (a análise e  interpretação dos resultados desse equipamento isocinético, são vitais e poucos profissionais estão aptos para de forma bem precisa, apontar e discutir tais resultados, para que possam ser utilizados na essência de sua necessidade na prática) sendo que todos os resultados provenientes de avaliações, correções e treinamento propriamente dito, são imediatamente utilizados por mim, e isso tem feito uma grande diferença quanto à segurança e aproveitamento de todos atletas em cada sessão de treino.
   Posso citar o PROF. DR. OSCAR AMAURI ERICHSEN (foto acima), um Biomecânico fantástico, com o qual trabalhei no Clube Atlético Paranaense nos anos de 2006/07 /08, que possui um grande e competente auxiliar, o dinâmico NETO, no comando das avaliações isocinéticas e demais atividades que envolvam testes de campo e do laboratório fisiológico, o Fisioterapeuta SASSAKI, do São Paulo F.C., clube onde trabalhei no ano de 2001, PROF. DR. ROGÉRIO NEVES, Fisiologista da Portuguesa de Desportos, clube onde trabalhei no ano passado (2010), os fisioterapeutas Eduardo e PAULÃO, além do PROF. DR. MIGUEL DE ARRUDA, FISIOLOGISTA, TODOS do Guarani de Campinas, clube onde trabalhei com os mesmos nos anos de 2009/2010.
   Usar tal tecnologia atualmente é fundamental, pois os riscos para formatarmos trabalhos físicos, sem esses dados passaram à ser um grande risco para todos.

domingo, 20 de março de 2011

O TRABALHO SÉRIO E COMPETENTE É INSUPERÁVEL

   Na postagem anterior à essa (17/03), mostrei como a realização de uma pré-temporada aqui no Brasil, principalmente para os grandes clubes é um grande desafio para os preparadores físicos, fisiologistas e técnicos, pois o escasso período para a realização de múltiplas atividades que formatarão o alicerce de uma grandiosa temporada, precisa ser altamente rendoso e seguro ao mesmo tempo.
   Hoje, estarei pinçando 3 semanas do mês de abril da temporada 2008, quando da disputa do Campeonato Paranaense e aqui mais especificamente, englobando as duas partidas da semi-final e a primeira da grande final.
   Escolhi não por acaso, este campeonato ou este clube em especial, mas para enfatizar como nada ultrapassa em importância o verdadeiro trabalho realizado com competência e organização, separei o período de menor duração para a realização de uma pré-temporada em que eu estive presente, para afirmar que verdadeiramente o trabalho sério e competente é insuperável.


   Estarei mostrando também, algumas avaliações com seus respectivos resultados, 2 trabalhos físicos diferenciados e mais uma atividade regenerativa bem simples, mas com a comprovação técnica do aproveitamento preciso do treino, além de dissecar a programação completa da viagem para o jogo que nos levou a grande final do estadual.


   Atentem para o fato, de que as respectivas avaliações e trabalhos físicos foram executados dentro daqueles exuberantes 5 dias para a pré-temporada.
   Um outro fato muito importante, é que os valores compilados nestas avaliações não devem ser comparados com os de outros clubes (todos possuem metodologias próprias), mas apenas armazenados para um acompanhamento da evolução física dos atletas no decorrer da competição e seqüencia profissional destes atletas no próprio clube, além  de servirem para a formatação de médias para futuras avaliações pelo clube.
   O jogo à ser dissecado, foi realizado no dia 20 abril na cidade de Toledo, mas que por falta de melhores condições hoteleiras, optamos por uma logística mais abrangente.



    Realizávamos reuniões mensais, sempre no final de cada mês, para programarmos de forma bem científica todas as cargas com seus respectivos volumes e intensidades envolvendo todos os períodos disponíveis para os treinamentos.
   É muito importante salientar, que essa programação sempre envolve todos os atletas, não apenas os que estão aptos, mas também aqueles que estão retornando do departamento médico (aqui é realizado o trabalho de transição, com cargas diferenciadas pois esses atletas estão sendo liberados pelos médicos e dependendo do grau de lesão e do tempo de inatividade, eles são submetidos à trabalhos bem específicos, geralmente realizados por um preparador físico auxiliar, fato esse que eu particularmente, prefiro).
   Assim, quando do seu retorno para os treinamentos em caráter normal, não  teremos que nos preocupar exclusivamente com seu retorno progressivo, pois o mesmo já foi realizado com sucesso, estando então liberado e a disposição para utilização por parte do comando técnico.


   Temos que tomar muito cuidado também, com aqueles atletas que não estão jogando regularmente (os reservas), pois com o número elevado de jogos e conseqüentemente de concentrações, a tendência para se ganhar peso através da grande ingesta de alimentos é grande.
   Um outro grupo, que a nossa programação mensal não pode deixar de atender bem de perto, são os atletas regularmente não convocados, pois estes passam pelo agravante de treinar muito (as cargas de cada sessão de treino devem ser muito bem dosadas) e jogar pouco, estando quase sempre com uma elevada falta de rítmo de jogo.
   Para tanto, são marcados regularmente jogos treinos e até amistosos com esses atletas, para que as diferenças em relação ao tempo de bola e sentido de posicionamento em campo, venham a ser diminuídos quando de sua tomada de titularidade momentânea ou até permanente.
   Abaixo estão postadas algumas avaliações com seus respectivos resultados; infelizmente o tempo ínfimo para a preparação adequada, acaba por impedir a execução de outros testes (que não serão esquecidos dada sua importância, mas que serão realizados concomitantemente ao desenrolar dos jogos), mas há muito que eu não gasto mais meu precioso tempo com reclamações, parto para a ação e realizo algumas vezes até o impossível, sempre em parceria com meus companheiros de comissão técnica.


      Para os trabalhos na sala de musculação, os testes de carga máxima limitaram-se inicialmente, somente para os extensores e flexores (membros inferiores), pois quando foi possível, executamos um protocolo de avaliação diferenciado e que em breve postarei aqui.
    Os monitoramentos sempre foram uma constante quando da execução de grande parte de meus trabalhos, pois assim procedendo posso ter um controle real e atual, de muitas atividades por parte dos atletas e com isso, apresentar aos mesmos suas evoluções e o tempo trabalhado.




          Esse treinamento abaixo, é um intervalado aeróbio - anaeróbio (resistência especial), com um volume total de 3000 m, sendo postado aqui, somente a primeira metade, com o atleta Nei, ala, atuando atualmente no S. C. Internacional de Porto Alegre.
         Mesmo com o tempo reduzido, conseguimos realizar alguns treinamentos, já baseados nos resultados de avaliações que transcorriam em paralelo aos treinos (este escalonamento de múltiplas atividades concomitantes, foram programados por nós, preparadores físicos, fisiologia, departamento médico, no final da temporada anterior).



           Aqui está a comprovação do resultado espetacular, de recuperação física, por parte do atleta FERREIRA, meia atacante e titular da seleção Colombiana também.
              Este trabalho deu inicio à todo um processo regenerativo pós jogo, que foi continuado, junto aos massagistas e a nutricionista.
        Observe atentamente, que o nível de sua freqüência cardíaca esteve abaixo de seu limiar constantemente.



                  Aqui neste trabalho o atleta IRÊNIO  um meia canhoto, realizou um circuito composto de 8 estações, sendo realizado em 2 passagens com 30" de execução direta em cada uma das estações, por 30" de recuperação.
                       A cada mudança de estação, era obedecido um intervalo de 1': 30" / 1' : 45" de descanso.
               Inúmeros movimentos simulando aos realizados nos jogos, envolvendo todos os segmentos corporais, aqui estavam sintetizados.



           Este jogo abaixo, foi o segundo da semi final e que nos colocou na final do Campeonato Paranaense de 2008.
            Tomar posse de vários detalhes dos inúmeros preparativos até o jogo em si, é muito interessante;